Escrito por Jornal Noticias Terça, 08 Fevereiro 2011 06:43

O Sol que se vê a partir da Terra parece um astro sossegado, mas é uma massa esférica de plasma com actividade magnética intensa. Até agora não existia uma imagem total do Sol, mas as duas sondas do projecto Stereo (Solar Terrestrial Relations Observatory) chegaram finalmente à sua posição final. Estão em locais opostos, a um ângulo de 180 graus, o que permite tirar fotografias complementares, em tempo real, dos dois hemisférios do astro.
“Isto é um grande momento para a física solar”, disse, em comunicado, Angelo Vourlidas, um membro da equipa. “O Stereo revelou que o Sol realmente é – uma esfera de plasma quente com um tecido intricado de campos magnéticos.
”As duas sondas Stereo (A e B) foram lançadas em Outubro de 2006. As suas viagens foram feitas em sentidos diferentes e ao longo do tempo as sondas foram tirando fotografias do Sol. As fotografias de 2 de Fevereiro obtiveram uma representação quase total do Sol, deixando apenas uma pequenina faixa de fora. Segundo a NASA, as fotografias dão uma representação total.
“Com esta informação, podemos girar em torno do Sol para ver o que se passa no horizonte sem nunca sairmos das nossas secretárias”, afirmou em comunicado Lika Guhathakurta, outra cientista que pertence ao programa Stereo. “Espero um grande avanço na física solar teórica e nas previsões do tempo do espaço”, disse a cientista, referindo-se à massa de partículas provenientes do Sol que alcançam a Terra. Se forem muito fortes, podem provocar fenómenos como auroras boreais ou um colapso dos sistemas de transmissão.
As sondas tiram fotografias em quatro comprimentos de onda diferentes, no extremo da radiação ultra-violeta. Desta forma, conseguem identificar acontecimentos importantes da superfície solar, como erupções, tempestades solares ou filamentos magnéticos. Uma terceira sonda pertencente ao programa Stereo, que orbita à volta da Terra, também está constantemente a fotografar o Sol, completando a informação vinda das Stereo A e B.
A partir de agora, os cientistas podem antecipar melhor os fenómenos que surgem na superfície do Sol e que influenciam a Terra.
“Actividades que se passam na região mais distante não nos apanharão mais desprevenidos”, explicou em comunicado Bill Murtagh, um cientista do Centro de Previsões do Tempo Espacial, no Colorado, que pertence à NOAA (sigla em inglês para a Administração Nacional para os Oceanos e Atmosfera).
“Com este modelo podemos também seguir as tempestades solares que vão em direcção aos outros planetas. Isto é importante para missões da NASA em Mercúrio, Marte ou asteróides”, acrescentou.
Por outro lado, com os dados obtidos a partir das fotografias vai ser possível relacionar fenómenos que acontecem em pontos distantes do Sol. Os cientistas há muito que suspeitam que a actividade solar pode estar interligada globalmente, com erupções solares distantes a influenciarem-se umas às outras.
“Há muitos puzzles fundamentais por trás da actividade solar”, disse Vourlidas.
“Ao monitorarmos todo o Sol, podemos encontrar peças que nos faltam". O projecto Stereo vai continuar durante os próximos oito anos.
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