Actualizado em Sexta, 04 Fevereiro 2011 07:22 Escrito por Jornal Noticias Sexta, 04 Fevereiro 2011 07:19

CHAMA-SE Kepler-11 e está a 2000 anos-luz de nós. Mas mesmo assim, o telescópio Kepler conseguiu identificar à sua volta seis planetas junto à estrela, cinco dos quais estão tão próximos que completam uma volta em menos de 50 dias (Mercúrio demora pouco menos de 88 dias para completar o seu ano)
“É provável que haja mais planetas (neste sistema) que não sejam detectados pelo Kepler”, disse ao jornal português Publico, Sérgio Sousa do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto.
O Kepler é um óptimo telescópio a identificar os trânsitos dos planetas. Ou seja, identifica a diminuição mínima de luz de uma estrela, sempre que um planeta passa à frente dela, o que permite determinar o raio do planeta.
Mas há limitações: quanto mais longe o planeta estiver da estrela e mais pequeno for, mais difícil é ser identificado. Para lá do Kepler-11g, podem por isso existir mais planetas.Além disso, se o planeta estiver a girar em torno da estrela num plano acima da nossa linha de visão, vai ser impossível ver o trânsito do planeta.
No caso da Kepler-11a foi um verdadeiro bingo. Os planetas estão pertíssimo da estrela e estão juntos uns dos outros, fazendo com que haja uma grande influência gravítica medida pelo Kepler, porém isto permitiu identificar as massas. Esta informação sobre a estrela – um sol semelhante ao nosso — fez com que os astrónomos determinassem as composições dos planetas.
Os seis planetas têm uma densidade menor do que a Terra. Segundo Jonathan Fortney, outro autor do artigo, os dois planetas interiores têm uma grande quantidade de água, e os mais exteriores já têm uma atmosfera de hidrogénio e hélio.
“Todos estes planetas começaram (a sua existência) com atmosferas de hidrogénio e hélio bem maiores. Vemos o remanescente dessa atmosfera nos planetas mais exteriores. Os mais próximos provavelmente perderam a maior parte (por estarem mais junto à estrela)”, sugeriu Fortney.
Para Sérgio Sousa estas hipóteses ainda são muito preliminares. “Estes planetas são mais maciços do que a Terra e, apesar de estarem mais perto da sua estrela, não sabemos como é a sua atmosfera, há várias composições possíveis”, explicou.
Uma das surpresas a emergir desta descoberta é que a formação destes seis planetas teve de ser muito mais acelerada do que os teóricos prevêem, de apenas cinco milhões de anos. “A ciência divide-se na teoria e nas observações e as duas vão ter de bater certo. Esta é uma observação que dará muitas ideias e muitas restrições aos teóricos”, antecipou o cientista.
Juntamente com este seis planetas, o Kepler tem uma avalanche de novos dados, anunciou a NASA. Há 1235 planetas candidatos que precisam da ajuda de outros aparelhos para se confirmar se são realmente planetas. Cinco deles são do tamanho semelhante à Terra e estão na região habitável. Por isso, teoricamente, podem albergar vida. Agora, é esperar que haja uma confirmação.
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