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Alterações Climáticas: Fertilização dos oceanos pouco eficiente

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Os métodos de geo-engenharia como este são difíceis de se monitorizar e resultam numa assimilação pequena de dióxido de carbono, o principal gás que causa o efeito de estufa, diz o relatório da Comissão Internacional de Oceanografia.

“Os esquemas de geo-engenharia que envolvem a fertilização do oceano para ter um efeito no clima têm uma probabilidade baixa de sucesso”, diz o estudo, de 20 páginas, feito por uma comissão que pertencente à UNESCO.

A revisão foi feita por cientistas de sete países que analisaram 13 projectos recentes. Os resultados destas experiências tiram o optimismo à técnica que tem por base colocar pó de ferro com outros nutrientes nos oceanos, promovendo a multiplicação de algas microscópicas que estão permanentemente a absorver o dióxido de carbono (CO2) da atmosfera.

Há 20 anos os números diziam que por cada tonelada de ferro utilizada, o mar absorveria cem mil toneladas de CO2. Mas os estudos mais recentes mostram que esta quantidade de ferro serve apenas para absorver cinco por cento desta quantidade, ou seja cinco mil toneladas.

Empresas como as multinacionais Climos, a Atmocean Inc e a Ocean Nourishment Corp. projectavam utilizar esta técnica para contrabalançar as emissões de gases com efeito de estufa de fábricas, termoeléctricas e carros. Mas o estudo mostra que a maioria do carbono absorvido volta para a atmosfera, apenas 15 por cento cai sob a forma de “neve marinha” – partículas de plantas e animais mortos – que ficam armazenados no chão dos oceanos.

“No máximo pode dar uma pequena contribuição”, disse Doug Wallace, o primeiro autor do relatório que pertence a um instituto marinho, da Universidade de Kiel na Alemanha.

Em 2008, a Convenção para a Diversidade Biológica das Nações Unidas impôs uma moratória nas experiências de fertilização dos oceanos fora das regiões costeiras, para que se obtivesse mais provas científicas que comprovassem a eficácia da técnica.

O estudo disse que algumas experiências tiveram sucesso em espoletar o aumento de plâncton e de bactérias, mas era impossível dizer a quantidade de carbono que realmente ficou armazenada nos oceanos. Além disso, o aumento de algas apesar de poder ajudar a fazer crescer o stock de peixes, por ser uma nova fonte de alimentação, também poderia estar a roubar nutrientes de outras partes do oceano.

A monitorização era vital, especialmente se a fertilização dos oceanos entrasse no sistema de créditos de carbono para reverter os efeitos das alterações climáticas.

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