Escrito por Jornal Noticias Terça, 01 Fevereiro 2011 08:11
Cientistas vêm desvendando os segredos do envelhecimento e alguns sugerem que em breve poderão
desenvolver tratamentos para reduzir a velocidade ou mesmo reverter o processo. No ano passado uma equipa do Instituto do Cancro Dana-Farber, de Boston, nos EUA, divulgou na revista científica Nature um estudo em que diz ter conseguido reverter o processo de envelhecimento em camundongos.
Eles manipularam cromossomos presentes nos núcleos de todas as células. O alvo principal da acção era a protecção dos telómeros. Os telómeros são estruturas presentes nas extremidades dos cromossomos. Eles protegem os cromossomas de possíveis danos, mas também diminuem de tamanho com a idade, até que as células não conseguem mais se reproduzir.
A equipa do professor Ronald DePinho manipulou as enzimas que regulam os telómeros, as telomerases, obtendo resultados significativos. Com o estímulo às enzimas, os camundongos pareciam fazer o relógio biológico "andar para trás".
"O que esperávamos era uma estabilização do processo de envelhecimento, mas ao contrário, observamos uma reversão dos sinais e sintomas de envelhecimento", disse à BBC, citado pelo portal brasileiro iG.
"Os cérebros destes animais cresceram em tamanho, aumentaram a sua cognição, as suas peles ganharam mais brilho e a fertilidade foi restaurada."
HUMANOS
Obviamente, aplicar estes princípios em humanos será um desafio bem maior. As telomerases já foram ligadas à incidência de cancro. Muitos acreditam que as mitocóndrias possam desempenhar um papel bem maior no processo de envelhecimento. As mitocóndrias - material genético contido na célula, mas fora do núcleo - são as "oficinas de energia" das células, mas também geram produtos químicos que são ligados ao envelhecimento. Há ainda o papel desempenhado por radicais livres - moléculas ou átomos altamente reactivos que atacam o corpo humano.
Apesar de estarmos apenas a começar a compreender como funciona o envelhecimento, alguns cientistas já testam tratamentos em humanos.
O professor David Sinclair é pesquisador de um laboratório especializado em envelhecimento da escola de Medicina da Universidade de Harvard e com os seus colegas vêm trabalhando numa droga sintética chamada STACs (ou Sirtuin activating compounds).
Estudos em camundongos obesos indicam que as STACs podem restaurar a saúde e aumentar a expectativa de vida dos animais. Já foram iniciados testes em humanos.
Há também estudos sobre o resveratrol, um antioxidante encontrado naturalmente no vinho tinto, que indicam que ele reduz o colesterol.
Sinclair diz que estas pesquisas "não são uma desculpa para comer batata frita o dia todo em frente à TV, mas uma forma de aumentar o modo de vida sadio e explorar as potencialidades de um corpo saudável".
QUESTÕES ÉTICAS
Mas é correcto fazer experiências em algo tão fundamental como envelhecer? Quais são as questões éticas envolvidas? O professor Tim Spector, do hospital Kings College em Londres, que também faz pesquisas na área, diz que o foco não é aumentar a duração da vida, mas prolongar a saúde.
"Não interessa muito prolongar a vida se isto significar que você terá tanta artrite, por exemplo, que não poderá sair de casa", disse.
Já o professor James Goodwin, do programa Age UK de amparo à terceira idade do governo britânico, diz que a questão levantada pelas pesquisas é se seus resultados vão ser acessíveis a todos ou apenas aos mais ricos.
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