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Células do cordão umbilical tratam feridas de diabéticos

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Cientistas da Universidade de Coimbra, Portugal, conseguiram verificar a regeneração parcial de feridas em ratinhos com diabetes, utilizando as duas células. O estudo foi publicado na revista científica “Public Library of Science One (PLoS One)”.

Os diabéticos têm um processo inflamatório elevado e todo o processo de cicatrização de feridas não acontece no ritmo que deveria acontecer”, explicou por telefone ao diário “Público” Lima Ferreira, investigador no Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra, que coordenou o projecto e é um dos autores do artigo.

Estes doentes não são capazes de degradar o açúcar normalmente e uma das consequências desta incapacidade é a dificuldade de cicatrizar as feridas. As feridas que se desenvolvem nos pés dos diabéticos são exemplos desse problema. Pensa-se que 25 porcento das pessoas com diabetes podem desenvolver estas lesões que acabam por ser responsáveis por setenta porcento das amputações feitas por causas não traumáticas.

A equipa de Lima Ferreira encontrou uma forma de melhorar a utilização das células estaminais que são retiradas do cordão umbilical, mais especificamente as células estaminais CD 34+. Sabe-se que estas células podem ter um efeito positivo na regeneração de tecidos, mas até agora, os cientistas tinham dificuldade em utilizá-las, porque morriam facilmente.

A equipa de Lima Ferreira conseguiu demonstrar in vitro que se juntar as CD 34+ com células endoteliais (importantes na formação dos vasos sanguíneos) consegue-se manter as CD 34+ vivas. As células endoteliais “guiam e potenciam a sobrevivência das células estaminais”, explicou o investigador. Ou seja, ajudam a criar um ambiente importante que mantém estas células CD 34+.

Os investigadores testaram um gel com as duas células em ratinhos diabéticos com feridas de seis milímetros de diâmetro. Numa única aplicação, a equipa conseguiu observar uma regeneração da ferida “estatisticamente significativa” nos primeiros três dias. Segundo Lima Ferreira, as duas células juntas “diminuem o processo inflamatório e também induzem a formação de vasos sanguíneos devido a factores que produzem e que vão atrair células que formam os vasos”. A partir do terceiro dia, as células estaminais morrem, mas há um efeito que se prolonga até ao décimo dia. O tratamento, contudo, não permitiu a regeneração total da ferida.

“Isto é uma pequena contribuição” para o tratamento de feridas diabéticas, disse o cientista. A equipa está também a utilizar as células estaminais umbilicais para o tratamento de enfartes de miocárdio.

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