Escrito por jornal noticias Quarta, 26 Janeiro 2011 06:56
NO banco de passageiro de um camião ao longo de uma estrada esburacada e empoeirada, no Haiti rural, Drew Kutschenreuter aponta para as árvores plantadas para virar carvão e para os canais de irrigação que cortam as colinas avermelhadas. Engenheiro agrónomo do Wisconsin, EUA, Kutschenreuter trabalha no Haiti há mais de duas décadas, e recentemente, actua em projectos de conservação do solo de encostas. Estão entre as metas do engenheiro criar emprego e inverter a crescente degradação do meio ambiente e a extrema pobreza - problemas agravados pelo terramoto do ano passado e pelo histórico de furacões na ilha.
Com uma pequena parte da sua cobertura florestal remanescente, o Haiti tem-se tornado cada vez mais vulnerável a enchentes e deslizamentos de terra. Sem as raízes subterrâneas, apenas um quarto da água necessária permeia o solo. Tempestades frequentemente destroem os sistemas de água existentes, enfraquecendo o acesso de água potável.
A ONU estima que cerca de 36 milhões de toneladas de bom solo são levados a cada ano pelo vento e pela chuva. Grande parte acaba nos rios e lagos que se tornam lama durante a estação chuvosa. Com a perda da fertilidade do solo, ocorre a queda de produtividade e como resultado, agricultores têm cada vez mais optado por cortar árvores para vender lenha e carvão.
Com o recente surto de cólera em campos lotados de vítimas do terramoto e em zonas montanhosas de áreas rurais onde as pessoas tomam a sua água potável do rio ou de poços subterrâneos, espera-se que haja maior pressão pelos recursos florestais. De acordo Wesler Lambert, do Partners in Health, quando cidadãos são incentivados a ferver a água como uma medida de protecção contra o cólera e outras doenças transmitidas pela água, mais carvão vegetal é usado. O que aumenta o desflorestamento e, portanto, facilita a formação de enchentes.
REESTRUTURANDO ENCOSTAS E FUTUROS
Kutschenreuter trabalha numa área chamada Gonaives, no norte do Haiti, e que não sofreu com a devastação do terramoto, por causa do plantio de encosta e dos projectos terraplanagem para diminuir o fluxo de água e proteger o solo superficial. Embora a área do projecto seja um pequeno pedaço do Haiti, ela oferece um vislumbre de como uma paisagem reabilitada pode funcionar.
O trabalho ambiental no Haiti faz parte do programa denominado Iniciativa Regeneração do Haiti, liderada pelo instituto da Terra da Universidade de Columbia e da Programa das Nações para o Meio Ambiente (PNUMA).
O esforço começou em 2008 com a restauração ecológica de uma das dezenas de bacias hidrográficas do país. Agora, depois de ter assegurado 8 milhões de dólares norte-americanos em financiamento, os líderes do projecto estão a ampliar os trabalhos para a costa sul do Haiti.
Até agora, a maior parte do trabalho tem sido focada no planeamento: levantamentos sobre a qualidade do solo, dados de satélite sobre os padrões da topografia e da água, e a criação de um mapa que determina se as encostas podem suportar a agricultura. Eles também instalaram um pluviómetro automatizado, que comunica a velocidade do vento e dados sobre precipitação em tempo real e via satélite, isto permitirá alertar com antecedência sobre risco de inundações.
O programa baseia-se em práticas que a ONU tem desenvolvido nas aldeias africanas. "O Haiti está entre as áreas de cultivo com eficiência mais baixa do mundo", disse Marc Levy, professor da Universidade Columbia e director do programa do Instituto da Terra. Muitos cientistas e políticos têm reconhecido as consequências da dependência do carvão vegetal. A melhor estratégia para os agricultores haitianos, segundo o relatório da comissão económica de 2008, encomendado pela ONU, seria plantar mangueiras para a exportação das frutas. Imposto sobre o abate de árvores poderia ser estabelecido para subsidiar os trabalhos alternativos à produção de carvão vegetal.
Mas os agricultores pobres, que não recebem os lucros das exportações, tradicionalmente escolhem agricultura de subsistência.
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