Escrito por Jornal Noticias Terça, 11 Janeiro 2011 09:03
Uma equipa de pesquisadores alemãs e do Reino Unido extraiu DNA dos dentes ainda preservados de Charles Byrne, o Gigante Irlandês, para compreender melhor o fenómeno em torno da sua altura e resolver em definitivo o mistério. Os dados estão na última edição da revista científica “New England Journal of Medicine”.
Trata-se de uma mutação rara, descoberta apenas em 2006. Quatro famílias da Irlanda do Norte, na região onde Byrne nasceu, carregam a mutação e têm parentesco com o gigante, afirma a equipa de Marta Korbonits, da Escola de Medicina e Odontologia de Londres.
Após a sua morte, vítima de tuberculose agravada pelos efeitos do alcoolismo, o gigante foi parar às mãos do cirurgião John Hunter, que ferveu o cadáver em ácido para remover a carne e passou a exibir o esqueleto na capital britânica.
Em 1909, o médico americano Harvey Cushing removeu o alto do crânio do irlandês e declarou que ele tinha tido um tumor na hipófise, glândula na região baixa do cérebro.
Depois de tantas tentativas, os pesquisadores temiam que não tivesse restado DNA no esqueleto. No entanto, o material genético de Byrne pôde ser analisado, onde se concluiu que ele era portador de uma mutação que causa tumores na hipófise.
Sob acção do cancro, a glândula produz grandes quantidades de hormónio do crescimento, daí o gigantismo dos portadores.
Os pesquisadores calculam que Byrne e as quatro famílias irlandesas com a mesma mutação compartilham um ancestral comum que teria vivido há cerca de 1500 anos.
Um dos afectados actuais é Brendan Holland, 58, com cerca de dois metros de altura, cujo tumor já foi removido.
Ele diz ficar emocionado com a história do gigante, porque sabe como é ser ridicularizado pela sua altura.
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