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Acácias são fertilizadores automáticos

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Cientistas do Centro Agroflorestal Mundial (WAC) apelam agora para um aumento do uso das chamadas “árvores fertilizantes” nos campos em toda a África para lutar contra as mudanças climáticas e aumentar a segurança alimentar, em Lusaka. A única acácia conhecida como “árvore fertilizante” levou a “uma duplicação ou mesmo triplicação da produção de milho entre agricultores familiares na Zâmbia e no Malawi, segundo evidência apresentada durante uma conferência em Haia, a semana passada. Os resultados foram importantes para os argumentos dos peritos agroflorestais durante a conferência, que apelam aos decisores para espalhar esta tecnologia em todos os países africanos mais vulneráveis às mudanças climáticas e à insegurança alimentar, e a mudarem a maneira de pensar sobre as melhores práticas para resolver os problemas mais prementes para os pequenos agricultores.

Falando durante a conferência, Dennis Garrity, director-geral do WAC, disse que a agricultura “sempre verde” – ou a integração de árvores fertilizantes nas culturas e criação de gado – “emerge como uma solução acessível para melhorar a produção em África”.

“Duplicar a produção até meados do século, particularmente em África, vai exigir abordagens não convencionais, principalmente porque muitos dos solos no continente estão degradados, e os camponeses estão a enfrentar as mudanças climáticas”, disse Garrity. “Precisamos de reinventar a agricultura de uma maneira sustentável e acessível para que ela possa reduzir as emissões do gás de estufa e se adapte às mudanças climáticas”.

Num recente artigo publicado no magazine científico “Food Security” (Segurança Alimentar), Garrity e co-autores sublinharam que a “agricultura sempre verde” já mostrou benefícios a milhões de camponeses na Zâmbia, Malawi, Níger e Burkina Faso.

Árvores fertilizantes retiram nitrogénio do ar e o transferem para o solo através das raízes e folhas caídas, reabastecendo o solo com fontes ricas em nutrientes orgânicos. As árvores garantem fornecimento de nutrientes, aumentam as colheitas e melhoram a produção de alimento para o gado, combustível e madeira, segundo o artigo.

Diz-se que estes sistemas também proporcionam um rendimento adicional aos camponeses a partir de produtos da árvore, enquanto, ao mesmo tempo, armazenam maiores quantidades de carbono do que outros sistemas de agricultura.

Por exemplo, agricultores no Malawi aumentaram a produção de milho em cerca de 280 porcento quando as culturas foram semeadas debaixo de uma determinada árvore fertilizante, a “Faidherbia albida”.

Diferente de outras plantas, a Faidherbia despe-se das suas folhas no princípio da época chuvosa e permanece adormecida durante a altura do crescimento das sementeiras. Isto torna a planta altamente compatível com as culturas alimentares porque não compete com elas pela água, nutrientes, ou a luz – apenas os ramos nus da copa das árvores se estende por cima enquanto as sementeiras de milho, sorgo ou mapira crescem e amadurecem em baixo.

Também se concluiu que folhas e cascas “são uma crucial fonte de alimento para o gado na estação seca quando quase todas as outras plantas já secaram”. As árvores podem continuar a dar estes benefícios gratuitos durante 70 ou 100 anos.

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