Espécie inovada de arroz adapta-se ao clima



Escrito por jornal noticias
Quinta, 17 Fevereiro 2011 09:20

Os especialistas do Instituto Internacional de Pesquisa do Arroz (IRRI, em sua sigla em inglês), uma instituição sem fins lucrativos localizada nas Filipinas, e da Academia Chinesa de Ciências Agrárias pesquisam há 12 anos para chegar à composição do chamado “superarroz verde”.
“O que tentámos é criar distintas variedades de arroz que ofereçam um bom rendimento aos agricultores com um menor uso de adubos e que ainda sejam resistentes às condições ambientais desfavoráveis, como as inundações, a seca, as bactérias, as más ervas e a alta salinidade da água”, explica Jaouhar Ali, cientista da instituição.
Com base nos dados que indicam que o cultivo do arroz consome cerca de 30 porcento da água empregada com fins agrícolas em todo o mundo, sendo que na Ásia o índice chega a 80 porcento, os cientistas tentam criar uma semente que necessite de menos irrigação.
“Para 2025 calculamos que a demanda por arroz no mundo terá aumentado 40 porcento e ao mesmo tempo entre 15 e 20 milhões de hectares de arrozais sofrerão escassez de água”, aponta Ali.
Os cientistas do laboratório já dedicaram mais de uma década a cruzar cerca de 250 variedades de grãos, além de experiências com híbridos, a fim de obter uma semente que permita colher maior quantidade de arroz com menos água e semente.
Por enquanto, produziram várias sementes que tiveram bons resultados em terreno seco, em áreas inundadas e com alta salinidade, e também perduraram perante a invasão de ervas prejudiciais em experiências realizados em 15 países da Ásia e da África.
“É curioso porque descobrimos que os mesmos genes implicados na resistência à seca também favorecem a sobrevivência nas inundações”, assinala o pesquisador.
Um dos obstáculos para a expansão das novas variedades de grãos pelos países em que o arroz é parte da dieta básica da população é a falta de dinheiro para financiar projectos, apesar de a instituição ter recebido recentemente uma ajuda de 18 milhões de dólares da Fundação Bill e Melinda Gates, criada pelo bilionário norte-americano.
O “superarroz verde” será o substituto melhorado do “arroz milagro”, desenvolvido pela instituição na década de 1960 e com o qual se chegou a multiplicar por dez o rendimento por hectare em alguns arrozais, o que evitou que a Índia e outros países da Ásia sofressem grandes crises de fome.
Mas o “arroz milagro”, obtido também depois do cruzamento de diferentes grãos, e as suas posteriores evoluções requerem uma grande quantidade de água e adubo para o seu crescimento perfeito e não se adaptam bem aos fenómenos climáticos que com maior frequência se registam em todo o mundo.
“Por exemplo, a China utiliza um terço da produção global de pesticidas e adubos e só tem 7 porcento das terras cultivadas no planeta, o que causa uma grande poluição. Obviamente a situação é insustentável”, alerta Ali.
O projecto de “superarroz”, que planeia contribuir para atenuar a fome nas regiões mais pobres, não implica modificações genéticas artificiais mas dezenas de cruzamentos de distintas espécies de arroz de todo o planeta até chegar aos mais resistentes.
Ali insiste que o objectivo da sua equipa não é criar uma variedade única, mas adaptar as mais consumidas em cada zona do mundo às condições ambientais nas quais o grão vai crescer sem que por isso perca qualidade e ao mesmo tempo aumente a colheita.
“Temos que nos adaptar ao gosto de cada país porque o arroz que se consome no Vietname não é igual ao que comem no Sri Lanka”, diz o investigador.
Os bons resultados obtidos durante a fase experimental encorajam os pesquisadores à pretensão de distribuir este arroz entre 20 milhões de pequenos agricultores em um prazo de quatro a dez anos.
Segundo os cálculos do instituto, isso representará um aumento da produção de arroz de cerca de 13 milhões de toneladas por colheita e gerará para o sector 2,6 mil milhões adicionais.
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