Escrito por Jornal Noticias Terça, 18 Janeiro 2011 07:59
Nas últimas décadas temos assistido a esforços bem sucedidos na prevenção e controlo de doenças infecciosas e epidemias. Estas conquistas têm inspirado confiança e optimismo na medicina moderna e na tecnologia. No entanto, a epidemia permanece um desafio notável para a saúde pública nos dias de hoje. Num contexto de mudança climática e de crescimento populacional, algumas epidemias voltam a emergir.
Um dos casos ocorreu na região Ferlo, no Senegal. A região tornou-se propensa à Rift Valley Fever (RVF) no final de 1980, quando os mosquitos portadores do vírus, Aedes vexans e Culex poicilipes, apareceram. Estas espécies mais tardias proliferaram perto de lagoas temporárias e de vegetação húmida.
Surtos do vírus RVF nos animais causaram abortos espontâneos e mortalidade pré-natal. Até agora, os sintomas da doença em humanos está relacionada na maior parte das vezes com gripes, mas pode incluir formas mais graves de encefalites e febres hemorrágicas. Consequentemente, os recursos locais socioeconómicos podem ser seriamente afectados.
O professor P. Sabatier da Universidade de Grenoble afirmou que esta ameaça crescente criou a necessidade urgente de utilização de um sistema de alerta local precoce, para as epidemias RVF no Senegal. O objectivo era utilizar ferramentas de Sistemas de Informação Geográfica (SIG) e imagens de satélite, que se tornaram dados fundamentais para detectar potenciais lagoas, avaliar a difusão da epidemia RVF e ainda determinar as áreas com riscos potenciais.
Utilizando vários métodos de Sistema de Informação Geográfica, pequenas lagoas foram localizadas com precisão, tornando mais fácil a criação de mapas de risco de RVF a partir das zonas potencialmente ocupadas por mosquitos (ZPOM) na sequência de estudos recentes de entomologistas na distribuição espacial dos mosquitos.
Foi necessário proceder a um aperfeiçoamento e simplificação dos dados, não só devido à complexidade da distribuição das lagoas mas também, com o intuito de desenvolver uma estratégia correcta para a utilização dos serviços de informação de saúde locais. Os investigadores quiseram identificar graus de risco de lagoas isoladas e/ou aglomeradas, calcular o risco da área de estudo abrangida, e ainda avaliar o risco em função da densidade de mosquitos em zonas de sobreposição.
Os resultados das análises utilizando a tecnologia SIG permitiram aos pesquisadores visualizar que os riscos aumentam à medida em que os lagos estão mais próximos uns dos outros. Utilizando a tecnologia SIG, os pesquisadores criaram um novo ZPOM (zonas potencialmente ocupadas por mosquitos), mais detalhado e mais útil. As ferramentas SIG ofereceram novos produtos e informações para uso pelos sistemas locais de alerta precoce na prevenção da doença.
Em termos de aplicações futuras, esta técnica pode ser aperfeiçoada através da introdução de camadas referentes às zonas ecológicas. Utilizadores multidisciplinares podem beneficiar destes dados, utilizando-os para escolher o posicionamento estratégico das aldeias e parques de acordo com os riscos da epidemia RVF. Esta nova metodologia está a ser divulgada e utilizada por outras equipas em África e está a ser integrada em diversas pesquisas no âmbito de epidemias transmitidas por picadas de mosquito.
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