Escrito por Jornal Noticias Sexta, 14 Janeiro 2011 07:27
Quem está de todo entusiasmado é o pessoal que integra a equipa que faz os ensaios da vacina a nível dos centros de saúde públicos da Manhiça.
Isabel José é supervisora da vacina. O seu trabalho consiste em visitar as casas das famílias que fazem parte do estudo. O objectivo é de actualizar as mães sobre o trabalho em curso e procurar saber os problemas que possam estar na origem das ausências às vacinações.
Através de uma motorizada, ela convida as mães a irem ao centro de saúde às quartas-feiras para receber o consentimento informado. As crianças são de seis a 12 meses.
“Explicamos que o trabalho vai durar três anos e que nesse espaço as crianças devem ir ao centro sete vezes. Não é fácil porque algumas mulheres são casadas com homens que trabalham na vizinha República da África do Sul. Quando regressam não aceitam que elas vão ao Centro de Saúde”, disse.
No Centro de Saúde Mwamatibjana, posto administrativo 3 de Fevereiro, dialog]amos com António Timana, gestor de campo desde 2009.
O seu dia-a-dia se resume na coordenação dos trabalhos diários atinentes às equipas que saem do CISM aos locais dos ensaios. É ele que garante o transporte das balanças, termómetros, máquina fotográfica, consentimento informado, entre outros aspectos.
No seu entender, as mães assumem os ensaios como sendo muito importantes nas suas vidas, por isso os mesmos acabam sendo fáceis. Perante os factos, António Timana não esconde a sua alegria.
“No início tudo parecia forçado, já que há muito trabalho por realizar. Todavia, hoje sinto-me feliz e orgulhoso por participar nos trabalhos de busca de uma vacina”, diz ele. Com 12ª classe, o jovem está neste momento a se preparar para fazer o Ensino Superior.
Para João Magalu, presidente do policiamento comunitário do 3º bairro, acompanhar os ensaios clínicos da vacina é motivo de grande orgulho, pois sente que está a contribuir para o bem-estar de todos.
“Antes de se vacinar as crianças fizemos muito trabalho de sensibilização porque inicialmente as pessoas pensavam que os cientistas estavam a retirar sangue das crianças para venda e outras utilizações obscuras. Todavia, hoje a população entende o que se faz aqui. É motivo de alegria”, garante ele.
O Centro de Saúde Mwamatibjana está implantado no 1º bairro, mas ele é secretário do 3º bairro. Ele acompanha os ensaios, pois recebeu formação sobre a vacina numa promoção do CISM.
No 3º bairro vivem 4800 moradores onde grande parte são crianças. Porém, com os ensaios da vacina a malária tem reduzido na zona. Aliás, é assim em toda a Manhiça.
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