Escrito por Jornal Noticias Sexta, 14 Janeiro 2011 07:24
Ao todo são 11 centros implantados em nove países africanos que estão a fazer ensaios clínicos referentes à terceira fase, abarcando 16 mil crianças.
A nível de Moçambique a tarefa está a ser executada pelo Centro de Investigação em Saúde da Manhiça (CISM) que escolheu para os ensaios quatro unidades sanitárias do distrito com o mesmo nome, que são Taninga, Malavele, Mwamatibjana e Manhiça.
Os ensaios da fase em curso iniciaram em Agosto de 2008 no Centro de Saúde de Malavele, tendo sido administradas, na fase inicial, mil crianças, cujos resultados serão conhecidos em Abril próximo.
Neste momento decorre a vacinação do segundo grupo de crianças. Ao todo serão envolvidas 700 crianças nesta fase. Até ao dia 8 de Dezembro haviam sido vacinadas 530 crianças. Estas terminam as três doses no mês, segundo disse-nos Jahit Sacarlal, investigador principal da vacina.
Com efeito, para ambos os casos vai restar um trabalho de seguimento que vai terminar com uma vacina dentro de três anos.
Conforme disse, o nível das ausências das crianças nas doses de vacinação tem se situado abaixo de cinco porcento, o que significa que “tudo está a acontecer dentro do normal”.
Aliás, Sacarlal não tem dúvida de que dentro de dois anos teremos uma vacina contra malária em administração nas crianças. Tudo porque os actuais ensaios são apenas para comprovar os resultados positivos alcançados nas pesquisas anteriores.
Na busca da nova solução contra a enfermidade, o CISM iniciou em 2003 um estudo de prova de conceito com mais de 2000 crianças com idades entre um e quatro anos no momento da vacinação. Receberam três doses da vacina tendo sido seguidas por um período de 45 meses de modo a se acompanhar a evolução da situação.
Durante esse período de vigilância a vacina mostrou que reduz o risco de infecção pelo “plasmodium falciparum” (30.5 porcento) e de malária grave (38.3 porcento). Aos 45 meses a prevalência do “plasmodium falciparum” foi 34 porcento menor no grupo de RTS,S que no grupo controle.
Em crianças menores de um ano esta vacina mostrou ser segura e bem tolerada e a eficácia contra infecção foi de 65.9 porcento.
“A OMS – Organização Mundial de Saúde está envolvida nestes ensaios, incluindo grandes companhias internacionais, o que reforça a certeza de que teremos uma vacina contra a malária”, disse a fonte.
Sacarlal falou assim tendo em conta que algumas correntes de opinião, incluindo investigadores, continuam a duvidar da viabilidade de RTS’S como candidato ideal para a prevenção da malária no seio da pequenada.
Em termos de avanço Moçambique integra o grupo de países que se posiciona em segundo lugar depois de países como Tanzânia e Gana, que já atingiram as metas de vacinação.
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