Escrito por Jornal Noticias Terça, 11 Janeiro 2011 08:58
O projecto é da brasileira Milena Boniolo, da Universidade Federal de São Carlos, que teve a ideia ao assistir a uma reportagem sobre o desperdício de banana no Brasil.
“Só na Grande São Paulo, quase quatro toneladas de cascas de banana são desperdiçadas por semana. E isso é apenas nos restaurantes”, diz a pesquisadora.
Ela já trabalhava com estratégias de despoluição da água, mas eram métodos caros – como as nanopartículas magnéticas – o que inviabilizava o uso em pequenas indústrias.
Com as cascas de banana, já não há esse problema. Como o produto tem pouquíssimo interesse comercial, já existem empresas dispostas a simplesmente doá-las.
“Como o volume de sobras de banana é muito grande, as empresas têm gastos para descartar adequadamente esse material. Isso é um incentivo para que elas participem das pesquisas”, afirma.
O método de despoluição aproveita-se de um dos princípios básicos da química: os opostos se atraem.
Na casca da banana, há grande quantidade de moléculas carregadas negativamente. Elas conseguem atrair os metais pesados, positivamente carregados.
Para que isso aconteça, no entanto, é preciso potencializar essas propriedades na banana. Isso é feito de forma bastante simples e quase sem gastos de energia.
“Eu comecei fazendo em casa. É realmente muito fácil”, revela a pesquisadora, sublinhando que as cascas de banana são colocadas em assadeiras e postas a secar ao sol durante uma semana. Esse material é depois triturado e passa por uma peneira especial. Isso garante que as partículas sejam uniformes.
O resultado é um pó finíssimo, que é adicionado à água contaminada. Para cada 100 ml a serem despoluídos, usa-se cerca de cinco miligramas do pó de banana.
Em laboratório, o índice de descontaminação foi de 65 por cento a cada vez que a água passava pelo processo. Ou seja: se for colocado em prática repetidas vezes, é possível chegar a níveis altos de “limpeza”.
O projecto, que foi apresentado na dissertação de mestrado da pesquisadora no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, tendo sido pensado com urânio.
Mas, segundo Boniolo, é eficaz também com outros metais, como cádmio, chumbo e níquel – muito usados na indústria.
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