ONU pede redução de CO2 para cumprir meta de Cancún



Escrito por Jornal Noticias
Quarta, 22 Dezembro 2010 09:49

A Organização das Nações Unidas (ONU) acaba de pedir que os Governos mundiais se apressem a fazer reduções maiores nas suas emissões de gases com efeito de estufa, afirmando que, se tal não acontecer, o mundo vai ultrapassar o limite de aquecimento global acordado este mês no México.
O Secretariado da ONU para as Mudanças Climáticas pediu que os países discutam os detalhes de novos acordos fechados em 11 de Dezembro nas negociações em Cancún que envolveram 190 países, como o "Fundo Verde" para ajudar países pobres.
"Todos os países, mas em especial os industrializados, precisam de aprofundar os seus esforços de redução de emissões, e precisam fazê-lo rapidamente", disse em comunicado a chefe do Secretariado, Christiana Figueres.
Referiu que as promessas actuais de redução das emissões de gases com efeito de estufa chegam a apenas 60 porcento do que é necessário para limitar a alta das temperaturas a dois graus Celsius, o nível acordado no México para evitar mudanças mais perigosas no clima mundial.
A conferência do México pediu que os países apresentem listas formais das suas reduções de emissões, muitas delas já feitas sob um acordo não obrigatório fechado em 2009 numa cúpula em Copenhaga.
Ela pediu ideias sobre como as listas poderiam ser completadas até 28 de Março de 2011, mas não definiu um prazo final fixo para isso. Um problema é que muitos países têm condições, que não são claras, vinculadas às suas promessas nacionais para o combate ao aquecimento global.
O Japão, por exemplo, está a oferecer-se para reduzir as suas emissões em 25 porcento até 2020 em relação aos níveis de 1990, como parte de um pacto futuro envolvendo o que afirma que terão que ser metas "ambiciosas" de todas as grandes economias, como China e Índia.
Os Estados Unidos prometeram cortes de 3 a 4 porcento nas emissões dos EUA até 2020 em relação aos níveis de 1990, dependendo da aprovação de uma legislação no país. No entanto, isso não mais será possível após a vitória nas eleições parlamentares dos republicanos, que rejeitam a adopção de medidas mais duras.
A conferência de Cancún ajudou a recolocar as negociações climáticas da ONU nos trilhos, depois de Copenhaga não ter conseguido acordar um novo tratado da ONU para evitar mais cheias, ondas de calor, avalanches ou subida do nível dos mares.
Em Cancún, os Governos acordaram medidas como a criação de um novo fundo para ajudar a fiscalizar 100 biliões de dólares de ajuda anual a países em desenvolvimento a partir de 2020, um novo mecanismo para reduzir o desmatamento e maneiras de ajudar países pobres a adaptar-se aos impactos das mudanças climáticas.
O acordo amplia muitos dos elementos do Acordo de Copenhaga, não obrigatório, fechado entre 140 países em 2009, para que se torne um pacto de base mais ampla. A Bolívia foi o único país a fazer críticas acirradas ao acordo de Cancún, dizendo que é insuficiente para desacelerar as mudanças climáticas.
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