Iluminação das cidades piora poluição do ar



Escrito por Jornal Noticias
Quinta, 16 Dezembro 2010 08:10

Uma pesquisa de cientistas norte-americanos sugere que as luzes fortes de cidades podem piorar a poluição do ar. O estudo da Administração Oceanográfica e Atmosférica dos EUA (NOAA, na sigla em inglês) indica que a claridade que é lançada para o céu interfere nas reacções químicas.
Essas reacções normalmente ajudam a limpar o ar do fumo dos carros e fábricas durante a noite.
O estudo da NOAA, citado pelo Ultimosegundo, foi realizado com a ajuda de uma aeronave que sobrevoou Los Angeles e foi apresentado na reunião da União Americana de Geofísica, em São Francisco.
Gases dos escapes de carros, chaminés de fábricas e outros tipos de emissões formam uma mistura de moléculas que a natureza tenta limpar.
Para esta limpeza é usado um óxido de nitrogénio que quebra elementos químicos que, de outra maneira formariam poluição e ozónio e que transformam o ar da cidade em algo irritante para as vias respiratórias.
A limpeza geralmente ocorre durante as horas de escuridão, pois o óxido de nitrogénio é destruído pela luz do sol, por isso este óxido de nitrogénio aparece apenas durante a noite.
As novas medições do NOAA indicam que a energia de luzes que ficam acesas durante toda a noite nos grandes centros urbanos estão a suprimindo o óxido de nitrogénio. As luzes podem ser 10 mil vezes mais fracas do que o Sol, mas o efeito ainda é significativo.
“Os nossos primeiros resultados indicam que as luzes podem desacelerar a limpeza nocturna em até 7 porcento e elas também podem aumentar em até 5 porcento os (elementos) químicos iniciais para poluição no dia seguinte", afirmou Harald Stark, do NOAA.
"Devemos trabalhar mais para quantificar o próximo passo, que será o quanto de ozónio nós podemos ter no dia seguinte. Este trabalho será importante, pois muitas cidades estão perto de seus limites de regulação em termos de níveis de ozónio. Então, até mesmo uma mudança pequena pode ser importante", acrescentou o cientista.
A maioria das lâmpadas usadas em Los Angeles é de lâmpadas de vapor de sódio ou então halogéneas. De acordo com Stark, mudar a iluminação pública para outros tipos de lâmpadas limitariam esse efeito.
O óxido de nitrogénio é menos afectado por luz vermelha, mas o cientista duvida que as autoridades municipais queiram iluminar as cidades com luzes vermelhas.
Mas, uma forma de lidar com o problema seria seguir as orientações activistas que fazem campanha por "céus escuros", que afirmam que é melhor manter as luzes apontadas para o chão para evitar que o brilho apague a luz das estrelas.
"Este efeito é mais grave nas alturas, no ar, do que directamente no chão. Então, se se conseguir manter a luz apontada para baixo e não a quer reflectida nos céus, para partes mais altas da atmosfera, então você certamente terá um efeito muito menor", disse Stark.
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